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Você é farinha de que saco?

Passamos a vida medindo e quantificando coisas e as pessoas com as quais temos contato não são uma exceção. Definimos os outros seres, nossos semelhantes, usando suas profissões ou cargos e é muito triste que continuemos cultivando esse péssimo hábito. A esmagadora maioria das pessoas quando interpeladas sobre o quê elas são, nem param para pensar: -Sou funcionário público, garçom, enfermeira... Você já parou para pensar que isso é muito pouco, comparado ao ser? Nós "somos" e ser não é o que você faz para viver, é algo muito além, al di là, é transcendente.

Devemos ter todo o cuidado com essas definições de nós, pois ao fazê-lo, estamos dizendo, à nós e aos outros, que somos resumidos àquilo. É lamentável ver quantas pessoas creem que "são" uma profissão ou um cargo. Resumir a sua existência, limitando toda a sua história a algo tão simples, quando poderiam elevar suas mentes para um nível superior de compreensão e fazer de suas vidas mais plenas e fecundas para todos.

Pessoas que se deixam enganar dessa maneira, acabam baseando suas vidas em coisas vazias e pequenas realizações. Tendo um alicerce de palafitas para sustentar o peso de uma vida, que é muito maior e mais pesada do que uma profissão. Façamos diferente então. Deixemos nossos espíritos mais valiosos e ricos do que nossa conta no banco. Valorizemos mais as pessoas que as coisas.

Ao nos definirmos como uma profissão ou cargo estamos entrando para um grupo e nesse grupo todos parecem iguais e isso faz com que cometamos uma falácia, tomando o todo pela parte ou a parte pelo todo de acordo com o caso. Nisso comentemos vários erros de julgamento ao nivelar as pessoas usando um critério tão baixo, fazendo de todos farinha do mesmo saco. Como se coubéssemos num saco de farinha.

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